13 setembro, 2008

Sinfonia



UM HOMEM EM OITO MOVIMENTOS

Segredos, murmúrios e sonhos
Conversa num ato de Amor.

O hoje ....se veste de ontem.
O ontem se desnuda no hoje.



PRIMEIRO MOVIMENTO
GRAVE





Nesta escuridão meu corpo
à recordação reverencia,
os dias são um espaço temporário.
Agoniza minha vida nesta noite
onde o singelo é tão difícil.
É chorado meu tempo !
Onde? onde cais-te?

A meia noite da vivência chega.
Sei que não estás !
Deixa-me recordar !
Como eras?...
Como eu era?
Perco o contorno do passado...

SEGUNDO MOVIMENTO
LARGO



Conservo desde a recordação teu dourado nome,
além das camélias florecentes.
Quem disse que a vida se tece do passado?
Consciente de que não temos de olhar-nos mais
como de que a vida tem final,
ouço tua voz...de onde vem?
Minha juventude parece detenta.
Nunca aspiraremos juntos a chuva matinal.
Qual chama misteriosa em tua apagada fogueira,
ao querer desvendar tua distância, tornei-me atemporal.
Procurei de forma cotidiana,ansiosa
escutar teu canto em minha vida.
Quis de maneira acostumada,com desespero
a primeira flor, a esperança... tua verdade.
Pedi de forma obcecada,com dor
a estadia eterna do teu amor.

TERCEIRO MOVIMENTO
ANDANTE



Vague pela memória da obscura luz.
Foste dona enebriante de sonhos,
asas abertas,
mistérios despidos.
Sendo serva, foi Senhora!
Soube a realidade,
o caminho espinhoso;
não entendi,
que o mundo cobiça incessantemente
a imat
uridade da originalidade lúdica.
Confundi então o vago com a vida.
Conheci em meu coração mil e um pedaços
Viveu, ardeu na escuridão !
Onde você foi gelo eu era fogo
Onde eu fui som...o teu silêncio.
Sei o que fui
Fui uma forma mais do extravio
que nunca fica satisfeito;
retorcido pássaro ferido
carregando a custas um destino.
Fui a aproximação do tempo,
o alma que reinvento
num corpo decrépito e vencido,
a insensatez de um labor solar.
Fui o fluxo da vida,
desejando o inexplicável.
Cristal opaco, sem brilho
esperando atingir a luz.
Creio sem razão meu coração
que compartilhamos espaços,
cantos estranhos, carícias,
mil impressões sob o sol.
Sei o que não fui
Teve minha vida ventos gelados,
mãos que como geranios
floresceram e com elas
se embriagam os canários.
Inevitavelmente chegou com avidez a dor.
Teimosamente me expos.
Se instaura a inércia.
A solidão... me elegeu !
Fomos amantes extasiados,
afundados no tempo.
Fomos grito e morte,
silencio então eu.
Desfigurei meu umbral humano,
a vida me escapava
a solidão se me entregou.
E no espaço orgástico
a morte, a solidão e eu
consumimos ao vento.
O vôo indecifrável
da mulher alada
empenhou-se no medo.
O sentimento arrebatou a luz.
Minha vida ficou atada
à contradição.

QUARTO MOVIMENTO
ALLEGRETO

Deixei as costas tesas...
esvaziei os pulmões...
Aprofundado na
contemplação silenciosa
não senti passar a vida.
Quem pronunciou meu nome
como se fosse vida?
Quem ao procurar o homem,
achou felicidade e consolo
ao conhecer-se mais?.
Evidentemente
Já não teve vôo, enraizei-me.
Todas as folhas se secaram,
pensei que era o fim.


QUINTO MOVIMENTO
ALLEGRO MA NON TROPPO






Talvez o fogo místico brote da contemplação?
Não imaginava os grilos
entoando cantos novos.
Desconhecia o profundo segredo
de Antigos Sacerdotes.
Descobri na natureza que o segredo
da vida está na terra.
Os troncos escondem coisas novas.
Que por trás da morte está a renovação.
Segredos das alvoradas
alegrias, esperanças.
Ânsias do rouxinol.
A tristeza foi a guia.
Timidamente provei sorte
com o brilho renovado do sol.
Achei nas raízes à disposição.
Comecei a envolver-me de nuvens, de passarinhos.
A esperança como seiva invadiu todos os meus ramos.


SEXTO MOVIMENTO
VIVACE



Eu...Homem Árvore
cresci sob o céu.
Meus ramos inventaram
que eram laranjeiras em flor.
Soube o que Eu não ERA
Quando a tarde dissolveu o presságio de morte.
Quando o céu inventou meu descanso,lá,
onde jamais se vê algo;
no país longínquo, onde nada foi meu;
despi minha sedenta história.
E ao estar vazio, encheu-se meu interior.




SÉTIMO MOVIMENTO
PRESTO






Sei o que sei
Crendo viver na escassez
encontrei a vastidão.
Conquistou-me o infinito;
e então...aprendi!
Sei o que sei
De súbito meu coração entrou no infinito.
O corpo e o espírito se acoplaram.
Fui então UM. Meu mundo teve Fé.
Enredei-me na sede da água da vida.
Sou o que sei
A eternidade é agora.
O canto brota desde o fundo.
Sei o que sou
O equilíbrio é a batalha
e o ganho diário.
Sei o que não sou
O difícil se volta fácil.
Ao passado o visto de seu tempo.
Ao hoje, com traje novo.
Sou o que sou
Ao fim me reconheço
é necessário morrer, para viver.


OITAVO MOVIMENTO
PRESTISSÍMO






Morrer
é ir crescendo
estreitando
caminhos.
Viver é batizar naus
e jogá-las ao mar!


SEI O QUE O SEI
SEI O QUE NÃO SOU
SOU O QUE FUI
SOU O QUE SEI
SEI O QUE SOU
SOU O QUE SOU !
ME BASTA ASSIM?


Pó sou
e em pó de estrelas
me converterei.






Hoje, destruído o ontem
prepara a entrega do amanhã,
assim a Escuridão penetra a Luz
o ciclo vital do Universo
contrapõe-se não se opondo jamais,
se desdobra violento poder absoluto do Tempo
inflexível muda e transforma o Existir,
incomparável, imparável, contínuo alternar-se
yang-yin-/yin-yang
código binário do que há de vir




COMEÇO!





Yanni/Keys to Imagination

4 comentários:

Anônimo disse...

Gostei bastante adorei as palavras e as imagens foram muito bem seleccionadas. Nunca pensou a se juntar a um fórum sobre escrita criativa?

http://umaquestaodepalavras.forumeiros.com/

Anônimo disse...

Por qtas vezes olhei o ceu e perguntei onde estavas...
Por qtas vezes meu coraçao se entristeceu por nao saber de ti...
Por te querer e sem saber...
Não sabia se estavas feliz..mas queria acreditar que sim..
Por qtas vezes olhei o céu e conversei com Deus...
Pedi força para continuar pois que a luta é gde
tu bem o sabes...
Precisava continuar e aprender a nao te esperar...
Assim o fiz...
Pois que minha alma apenas ansiava..
Sublimei meus sentimentos ...
voltei-os ao proximo..
precisava sair de mim...
Aprendi...
Lágrimas derramei a beira do caminho..
Atravessei um vale de dor ..
Mas sabia..
nao perguntes como..
apenas sabia..
a beira do caminho existiriam flores...
Flores plantadas por mim
regadas com meu suor
Por qtas vezes olhei o ceu e pedi para nao deixar a solidao se alojar em meu peito
Não deixar a minha voz triste como o canto do rouxinol...
Meus olhos cansados...
Ah por qtas vezes olhei o céu e
apenas agradeci...

Hj colho o fruto bom do que plantei... escolhas minhas...bençao do Gde Pai.. amor e proteçao...
Hj meu amado imortal .. compreendes isso? ...
estas novamente perto de mim...
Hj olho para o céu e
sei onde estás!

Miguel disse...

Para anônimo 1:

Obrigado, pelo elogio tão carinhoso, é gratificante saber que existem pessoas como você.
Mais que palavras e imagens aqui esta a tentativa de expressar toda uma gama de emoções e sentimentos.
Fico realmente lisonjeado e agradeço demais o convite. Esteja certo que na primeira oportunidade me juntarei a vocês.

Pena não saber teu nome

Forte é o Abraço

Miguel disse...

Pra vc anônima...rs:

Meu bem querer
é segredo, é sagrado
está sacramentado
em meu coração
meu bem querer
tem um quê de pecado
acariciado pela emoção

Meu bem querer
meu encanto, estou sofrendo tanto
amor, e o que é o sofrer
para mim que estou
jurado pra morrer de amor